domingo, 29 de maio de 2011

Num Qualquer Nível da Realidade

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Cenários mascarados de familiaridade
Todas as pontas com nó
Só estratagemas
Só filmes
Só manipulações
E malabarismos
Só montagens

Tudo sempre pensado para qualquer passo que eu desse
Tudo induzido
E ainda o toque de mestre:
Distorcer-me a visão
E fazer-me acreditar que tudo foi por mim feito

Depois de tanto bater com os cornos na parede
Algum dia tinha que abrir a cabeça

Um dia comecei a perceber o enredo todo
A minha percepção das coisas mudou o foco e ganhou amplitude
Deixei de ser a ingénua de sempre
Comecei a ver as invisibilidades
As entrelinhas

Ainda a escorrer sangue da cabeça
Noutro dia mudei de cenário

Mas neste parece que só vejo coisas invisíveis
Vejo tudo o que não há e nada do que há?
Perdi o discernimento
E falta de aderência à realidade

Ganhei amplitude e profundidade
Mas com o foco virado para o Nada
Ainda a escorrer sangue da cabeça
No Nada flutuo
E mergulho
Mas sem nunca daqui sair
Nem sequer para o Tudo consigo ir

Perdida no Nada
Sem cenários
E em inércia
Num qualquer nível da realidade