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eu não me apaixono, fascino-me
paixão sentem-na os deleitantes em prazer carnal
eu deleito-me nas silhuetas mentais
sinto a tua falta
pelo menos assim me convenço a mim mesma
eu não te conheço
mas queria-te aqui
aqui na minha cama
queria que me agarrasses o coração toda a noite
e me abraçasses a alma
consomes-me
tempo
energia
penso em ti
os pensamentos consomem-me
os pensamentos consomem-me o pensamento
e a vida
espero-te em vão
um dia
dois
três
em vão te espero
tu que me estremeceste as emoções empoeiradas
enferrujadas
eu senti o meu corpo contigo
e senti-o a fazer-me sentir plena
eu esqueci-me até de fumar
senti as emoções a quererem rebentar em prantos de dor, (quererem !)
passada
eu sou tão pesada
o fantasma do passado dissimulado encobre-me num jogo de sombras labirínticas
quando sinto que estou revigorada dou por mim ilusionada
liberta-me desta dor tão nada sentida de tão consciente que é
liberta-me dos fantasmas do passado
liberta-me da raiva
liberta-me do corrompimento em que flutuo
liberta-me do ódio e da paralisia
liberta-me
acolhe-me no teu coração com a tua alma iluminada e com os teus pés na terra
não me deixes para trás
eu sei que apenas nos entre olhamos
mas não é possível que só eu me tenha deleitado neste acaso
cumprimentamos-nos como de conhecidos nos tratássemos
não é possível que isto tenha sido um erro
de tão mútuo que foi
claro que é possível
os acasos pressagiantes não existem, somos nós a fantasiar .. mas é são tão grandes as forças mentais que nos empurram para as fantasiosidades, é tão a sedutora essa realidade imaginada, ficamos a desejar tanto que começamos a acreditar no que imaginamos se não estivermos atentos a nós mesmos
mas eu entendo que não me penses
eu sou tão pesada
que qualquer alma que engrace comigo
rapidamente se desvanece como se nunca tivesse existido
e assim assisto consciente a este vai-vem
dessas escassas almas
mas eu fechei os olhos e senti-te dentro de mim
senti-te nos meus dedos
no meu braço
nas minhas costas
nos meus olhos
dirijo-te este meu devaneio
mas não te ergas no teu ego
talvez seja só um devaneio emergido da minha solidão
esta obsessão que dolorosamente me apraz e me aprisiona
eu não vivo de amores nem de pessoas
mas de obsessões platónicas
por silhuetas metafísicas humanas
sem causa aparente
tal como obcecada estava por ter um piano quando era pequenina
aleatoriedades
que me prendem aqui
como humana
falhada
feita em nada
e no nada flutuo
em horror